Mortalidade Materna no Paraná: causas, desafios e ações para salvar vidas

Por cosemspr - 24 de julho de 2025

Em: NOTÍCIAS

A mortalidade materna continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil, e o Paraná não está imune a esse cenário. Apesar dos avanços na atenção pré-natal e no parto, é possível evitar muitas mortes com a aplicação de protocolos clínicos, articulação entre equipes e acesso oportuno ao cuidado.  A mortalidade materna refere-se ao óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, por causas relacionadas ou agravadas pela gravidez, parto ou puerpério. Trata-se de um indicador sensível à qualidade da assistência em saúde. O COSEMS-PR faz parte do Grupo Condutor da Política Materno-Infantil no estado.

“A mortalidade materna é um problema urgente de saúde pública. Pedimos aos gestores municipais que acompanhem se suas equipes estão colocando em prática os protocolos e estratégias para evitar mais casos”, declara o Assessor Técnico do COSEMS-PR, João Felipe Marques da Silva.

Por isso, neste artigo trazemos as principais causas da mortalidade materna no Paraná, os protocolos atualizados que visam reduzi-la e o que as equipes de saúde podem fazer para proteger a vida das gestantes e puérperas. 

Principais causas de mortalidade materna no Paraná 

Com base nos protocolos atualizados pela Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, as principais causas de óbito materno são: 

  • Distúrbios hipertensivos da gestação (pré-eclâmpsia e eclâmpsia) 
  • Hemorragia pós-parto 
  • Sepse puerperal 
  • Complicações por desnutrição e deficiência de micronutrientes 

Essas causas têm em comum o fato de serem, na maioria das vezes, evitáveis com atenção oportuna, manejo adequado e cuidado qualificado. 

Estratégias para prevenção da mortalidade materna

1. Suplementação universal de cálcio durante a gestação

A Nota Técnica Conjunta nº 251/2024 do Ministério da Saúde recomenda a suplementação de 1.000 mg de cálcio elementar por dia. Essa recomendação está direcionada para todas as gestantes atendidas no SUS, a partir da 12ª semana de gestação, e não apenas daquelas estratificadas como Alto Risco ou das identificadas com baixo consumo deste nutriente, como era a recomendação anterior dos manuais técnicos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde. 

 A oferta do suplemento deverá ocorrer na Unidade Básica de Saúde durante a rotina pré-natal (com captação oportuna de até 12 semanas), momento e local onde deverão ser ofertados cuidados e orientações de Alimentação e Nutrição, incluindo o suplemento de cálcio (carbonato de cálcio).

Confira as dicas detalhadas abaixo que evitam casos de mortalidade materna no Paraná:  
  • Recomenda-se a suplementação de dois (2) comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg (500 mg de cálcio) ao dia, equivalente a 1.000 mg de cálcio elementar, para todas as gestantes, com início na 12ª semana de gestação até o momento do parto; 
  • A prescrição poderá ser feita por médico(as), enfermeiros(as) e nutricionistas das equipes da Atenção Primária à Saúde; 
  • A administração concomitante dos suplementos de cálcio e do ferro deve ser evitada. Recomenda-se que a ingestão do suplemento de cálcio ocorra com intervalo mínimo de 2 horas do suplemento de ferro (sulfato ferroso) ou de polivitamínicos contendo ferro; 
  • Sugere-se que o cálcio não seja ingerido em jejum. Além disso, deve-se evitar a ingestão do suplemento em associação com alimentos ricos em fitatos, oxalatos ou ferro (por exemplo: feijão, fígado, espinafre, acelga, couve, beterraba, batata doce, sementes, castanhas ou cereais), bem como deve-se evitar a ingestão do suplemento com alta ingestão de cafeína e de alimentos ultraprocessados. Uma opção é a ingestão no período da noite com um copo de leite ou suco de frutas, por exemplo; 
  • A compra do suplemento Carbonato de Cálcio destinado à suplementação de gestantes deve ser realizada como parte do planejamento do componente básico da assistência farmacêutica local. Ou seja, trata-se de insumo relacionado à APS com financiamento tripartite, cuja responsabilidade gerencial e de aquisição é das Secretarias Municipais de Saúde. A aquisição poderá ocorrer de forma autônoma em cada município, ou através do Consórcio Paraná Saúde. 

 2. Protocolo de manejo da eclâmpsia

O Paraná implementou um fluxo detalhado para atendimento de gestantes e puérperas com sinais de eclâmpsia. O manejo inclui administração de sulfato de magnésio, monitoramento intensivo e prontidão para interrupção da gestação em casos graves. 

3. Manejo da hemorragia pós-parto

O protocolo “Hora de Ouro” orienta uma resposta rápida e sistemática à hemorragia, principal causa direta de óbito materno. Ações como massagem uterina, administração de ocitocina, ácido tranexâmico, tamponamento intrauterino e laparotomia, quando necessário, podem prevenir a mortalidade materna no Paraná. 

 4. Protocolo de sepse na gestação e puerpério

A sepse é uma condição grave que exige diagnóstico rápido e administração de antibióticos em até 1h após a suspeita. O protocolo estadual orienta o uso de antimicrobianos específicos e avaliação da vitalidade fetal e condições clínicas da mãe para decidir sobre a intervenção cirúrgica. 

Articulação e capacitação das equipes de saúde 

A efetividade desses protocolos depende da atuação coordenada entre os níveis de atenção (primária, hospitalar e emergência), da captação precoce das gestantes e da capacitação contínua das equipes de saúde. Além disso, é fundamental garantir o abastecimento de insumos como cálcio, sulfato de magnésio, ocitocina, antibióticos e sangue. 

Reduzir a mortalidade materna no Paraná é possível. Para isso, é necessário fortalecer a atenção pré-natal, garantir a aplicação dos protocolos clínicos atualizados e assegurar a infraestrutura dos serviços de saúde. A vida das gestantes depende de decisões rápidas, baseadas em evidências, e do compromisso coletivo com o cuidado humanizado. 

 

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