HIV e Aids: o que gestores municipais e técnicos precisam saber para fortalecer a prevenção, o diagnóstico e o cuidado no SUS

Por cosemspr - 12 de dezembro de 2025

Em: NOTÍCIAS

Desde 1996, o SUS oferece gratuitamente os antirretrovirais (ARV), que impedem a multiplicação do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e protegem o sistema imunológico. Com o passar do tempo, ocorreu a simplificação dos esquemas terapêuticos e a evolução da infecção pelo HIV para uma característica de condição crônica. Com isso, Atenção Básica (AB) ganhou um papel estratégico no cuidado compartilhado, aproveitando sua capilaridade e capacidade de criar vínculos territoriais. 

O que é o HIV e por que ele exige atenção da gestão municipal de saúde? 

O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus que ataca diretamente o sistema imunológico — o responsável por proteger o corpo contra infecções. Sem tratamento adequado, a infecção pode evoluir para a Aids, estágio mais avançado da doença. Nesse momento, o organismo fica extremamente vulnerável a infecções oportunistas e alguns tipos de câncer, principalmente devido à queda dos linfócitos T CD4+. 

Pessoas em tratamento e com carga viral indetectável não transmitem o HIV.  Isso fortalece o cuidado individual e reduz a transmissão populacional. 

Por que fortalecer a resposta municipal ao HIV e à Aids 

  • Reduz internações e complicações 
  • Amplia o diagnóstico precoce 
  • Contribui para metas de eliminação da transmissão vertical 
  • Enfrenta estigmas que ainda impactam o cuidado 
  • Integra ações da APS, vigilância e assistência especializada 
  • Garante acesso equitativo a prevenção, diagnóstico e tratamento 

O enfrentamento do HIV é uma política estruturante do SUS — e os municípios têm papel central na sua efetividade. 

Prevenção: a estratégia combinada como política pública 

A prevenção do HIV evoluiu e hoje envolve múltiplas estratégias adaptadas à realidade de cada pessoa — a chamada Prevenção Combinada, recomendada pelo Ministério da Saúde. 

1- Intervenções biomédicas 

  • Preservativos (interno e externo) – gratuitos no SUS 
  • PEP (Profilaxia Pós-Exposição) – até 72h após risco 
  • PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) – uso contínuo para populações sob maior exposição 

2- Intervenções comportamentais 

  • Uso regular de preservativos 
  • Testagem frequente 
  • Educação e diálogo entre pares 

3- Intervenções estruturais 

  • Combate ao preconceito 
  • Promoção de direitos humanos 
  • Campanhas de educação em saúde 

A prevenção combinada deve estar integrada às ações da Atenção Primária e das equipes municipais. 

Como atender uma suspeita de infecção? 

Acolhimento: A Primeira Tecnologia de Cuidado  

O acolhimento não se resume à triagem na recepção; é uma postura ética de escuta qualificada que deve permear toda a equipe multiprofissional. Para o profissional de saúde, acolher a PVHIV significa: 

Validar a queixa: Permitir que o paciente expresse medos e dúvidas sobre a doença. 

Respeito à identidade: Utilizar o nome social, conforme a legislação vigente, e garantir o sigilo absoluto das informações. 

Postura não julgadora: Evitar juízos morais sobre comportamento sexual ou uso de drogas, focando na construção de confiança. 

Diagnóstico Oportuno e Manejo Clínico na UBS  

A Unidade Básica de Saúde é a porta de entrada preferencial para o diagnóstico precoce. 

Testagem: Deve-se ofertar o teste rápido (resultado em 30 minutos) sem barreiras, como a exigência de palestras prévias. 

Início do Tratamento: A diretriz atual é clara: recomenda-se o início da Terapia Antirretroviral (TARV) para todas as pessoas diagnosticadas, independentemente da contagem de CD4. 

Conceito Indetectável: O objetivo do tratamento é atingir a carga viral indetectável. É crucial explicar ao paciente que isso significa sucesso terapêutico e redução drástica da transmissão, embora não signifique cura. 

Monitoramento e Prevenção de Comorbidades  

Como qualquer condição crônica, o manejo do HIV na AB deve focar na integralidade. O profissional deve estar atento a fatores de risco para agravos crônico-degenerativos, como diabetes, hipertensão e osteoporose, além de incentivar a atividade física para controle de dislipidemias e lipodistrofia. 

Saúde Mental: A equipe deve investigar ativamente sinais de sofrimento psíquico, depressão ou ansiedade, que são barreiras frequentes à adesão e podem exigir encaminhamento à Rede de Atenção Psicossocial. 

Estratégias para Adesão ao Tratamento  

A adesão é o “calcanhar de Aquiles” do tratamento em longo prazo. A equipe deve identificar fatores que dificultam esse processo (efeitos colaterais, falta de suporte social, complexidade da rotina) e propor facilitadores. 

Ferramentas: Utilize tabelas de doses, alarmes e incentive o uso de aplicativos de suporte. O vínculo com a equipe da AB é, muitas vezes, o fator determinante para a retenção do paciente no tratamento. 

Atenção Especial: Transmissão Vertical  

A prevenção da transmissão vertical exige vigilância constante no pré-natal. 

Testagem: Realizar testes no 1º e 3º trimestres e no parto. 

Conduta: Com as intervenções corretas (uso de antirretrovirais na gestação e parto), o risco de transmissão cai para menos de 1%. 

Amamentação: É contraindicada. O profissional deve orientar a inibição da lactação e o fornecimento de fórmula infantil pelo SUS. 

Notificação Compulsória  

Lembre-se: a infecção pelo HIV (e não apenas a aids) é de notificação compulsória. Médicos, enfermeiros, odontólogos e outros profissionais têm o dever de notificar para garantir o planejamento epidemiológico adequado. 

Conclusão  

A inclusão da Atenção Básica no cuidado à PVHIV não visa substituir o especialista, mas somar esforços em uma rede articulada. Ao tratar o HIV como uma condição crônica manejável na UBS — similar ao diabetes ou hipertensão — reduzimos o estigma e garantimos que o usuário seja visto em sua integralidade, e não apenas através de sua carga viral. 

Saiba mais sobre o assunto nas fontes consultadas: 

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cuidado_integral_hiv_manual_multiprofissional.pdf 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv 

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