Você sabia que, segundo o Ministério da Saúde, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida é o único fator que pode reduzir em 13% a mortalidade infantil? Vencedora da 19ª Mostra “Brasil, Aqui Tem SUS!”, a experiência “Modificando vidas no peito” conseguiu alcançar a marca de 70% dos bebês sendo exclusivamente amamentados no sexto mês de vida. “Vale citar que estudos brasileiros acusam taxas de cerca de 10%”, declara a médica pediatra Elizamara Eliege Paz Segala, idealizadora da iniciativa.
Por que incentivar o aleitamento materno exclusivo?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que apenas 38% das crianças são amamentadas de maneira exclusiva com o leite humano até o sexto mês de vida. Porém, o leite humano é um alimento completo para bebês e oferece benefícios significativos para a saúde das crianças e adultos.
Além de reduzir em 13% a mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos, fornece ao organismo infantil proteção contra diarreia e infecções respiratórias. Também diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, reduz a chance de obesidade e contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do bebê.
Sabendo disso, a experiência de Elizamara surgiu com o objetivo de resgatar o direito das gestantes de aprenderem a amamentar e oferecer apoio contínuo à mãe e ao bebê nos primeiros dias de vida. “O poder do aleitamento materno ainda é desconhecido na população carente e, até mesmo, entre profissionais de saúde. A possibilidade de diminuir doenças a curto e longo prazo, de promover a inteligência, e redução de custos para o desenvolvimento do indivíduo são alguns benefícios”, explica a médica.
Ações simples, impactos transformadores
Sem a necessidade de grandes investimentos, a iniciativa conta com o envolvimento da equipe multiprofissional da unidade de saúde, o que garante um acompanhamento próximo, técnico e humano.
“Basta uma equipe motivada, preparada tecnicamente no manejo do aleitamento materno e que trabalhe com o mesmo propósito. O essencial, quando bem feito, salva vidas e modifica a história da criança e da família”, defende a autora.
Entre as ações de destaque estão:
- Encontros mensais com gestantes e suas redes de apoio, agora realizados no período noturno para garantir maior participação.
- Lanche saudável oferecido aos participantes, meia hora antes do início das reuniões.
- Dinâmicas participativas e sorteios de brindes, promovendo o acolhimento e a troca de experiências.
- Monitoramento das taxas de aleitamento realizado na sala de vacinação, durante as consultas de rotina até 1 ano e 3 meses.
Resultados que mostram a força do apoio
Desde o início dos encontros em 2019, houve um salto significativo nas taxas de amamentação: em janeiro de 2025, o município alcançou 70% de leite materno exclusivo até os 6 meses de vida. Além disso, houve redução expressiva no fornecimento de fórmulas infantis pela rede pública de saúde.
Esses números comprovam o que a prática já revela: com apoio, informação e acolhimento, mais mulheres conseguem amamentar e transformar a saúde de seus filhos.
Aleitamento materno é mais que nutrição: é cuidado, vínculo e transformação social
O projeto “Modificando vidas no peito” mostra que ações simples, quando feitas com dedicação e propósito, salvam vidas e constroem um futuro mais saudável. Promover o aleitamento materno é investir no essencial.
Segundo Elizamara, “ver mães que antes não conseguiram amamentar, persistirem e terem sucesso mesmo no segundo ou terceiro filho é a prova de que esse esforço vale a pena. Mães que residem em acampamento, assentamentos, e em outras regiões de vulnerabilidade amamentando exclusivamente até o sexo mês, e complementando até os 2 anos de idade, nos dá a nítida certeza de que estamos fazendo a diferença na vida dessa criança”.
Você pode fazer a diferença na saúde do Paraná e ser um dos vencedores da Mostra “Brasil, Aqui tem SUS!” As inscrições para a edição deste ano já estão abertas! Veja como participar.