A vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) é uma das principais formas de prevenção de diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, garganta, ânus e pênis. No Brasil, ela está disponível gratuitamente no SUS, mas ainda há uma parcela significativa de jovens que não completaram o esquema vacinal.
Por isso, o SUS está promovendo a campanha “Resgate HPV”. Até dia 31 de dezembro, jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra o vírus nas Unidades Básicas de Saúde.
O que é HPV e quais doenças ele pode causar?
O HPV é um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que mais de 80% da população sexualmente ativa terá contato com algum tipo de HPV ao longo da vida.
Embora muitos casos sejam assintomáticos, a infecção pode provocar verrugas genitais e evoluir para diferentes tipos de câncer, sendo o mais comum o câncer do colo do útero. Outros tipos de câncer podem ocorrer na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca.
De acordo com o INCA, ao menos 12 tipos de HPV são considerados oncogênicos (causadores de câncer). Assim, apresentam maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras.
Como o HPV é transmitido?
O HPV é transmitido principalmente por contato direto com pele ou mucosas infectadas. A forma mais comum de transmissão é a sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou até mesmo manual-genital. Isso significa que a infecção pode acontecer mesmo sem penetração vaginal ou anal.
Além disso, o vírus também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto.
Todos que têm o vírus do HPV apresentam sintomas?
Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV não causa sintomas e desaparece sozinha depois de um tempo. Tanto homens quanto mulheres podem estar infectados sem perceber. Muitas vezes, o vírus está presente no corpo sem provocar nenhum tipo de lesão visível – o que chamamos de infecção latente. Isso significa que a ausência de sinais não garante que a pessoa não tenha o HPV, apenas que ele não está causando doença naquele momento.
Apenas cerca de 5% das pessoas infectadas vão desenvolver algum tipo de manifestação. Quando isso acontece, o HPV pode aparecer de duas formas:
1. Infecção clínica (visível)
São as verrugas genitais, também conhecidas popularmente como “crista de galo”, “figueira” ou “cavalo de crista”. Têm aparência semelhante a uma couve-flor e podem variar de tamanho.
Nas mulheres, surgem no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus.
Nos homens, podem aparecer no pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus.
Em ambos os sexos, também podem se manifestar na boca e garganta.
2. Infecção subclínica (não visível a olho nu)
Nesse caso, o vírus está presente, mas não causa sintomas nem sinais visíveis. No colo do útero, essas alterações podem ser detectadas em exames e recebem diferentes nomes:
Lesões de baixo grau (NIC I): indicam apenas a presença do vírus.
Lesões de alto grau (NIC II ou III): são consideradas precursoras do câncer do colo do útero.
É importante destacar que o desenvolvimento de lesões em outras partes do corpo é raro.
Por que vacinar jovens de 15 a 19 anos contra o HPV?
A vacinação é mais eficaz antes do início da vida sexual, mas mesmo quem já iniciou a vida sexual deve se vacinar, pois a vacina protege contra vários subtipos do vírus.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina contra o HPV pode reduzir em até 70% o risco de desenvolvimento de câncer do colo do útero. No Brasil, o Ministério da Saúde reforça que jovens de 15 a 19 anos que ainda não completaram o esquema vacinal podem e devem procurar a imunização.
Essa faixa etária é estratégica porque muitos adolescentes ainda não se vacinaram ou não tomaram todas as doses. Completar o esquema é essencial para garantir a proteção de longo prazo.
Benefícios individuais e coletivos da vacina contra HPV
Proteção individual: diminui drasticamente o risco de verrugas genitais e cânceres associados ao HPV.
Proteção coletiva: reduz a circulação do vírus na população, fortalecendo a chamada imunidade de rebanho.
Impacto em saúde pública: a ampliação da cobertura vacinal é uma medida eficaz e de baixo custo para reduzir a carga de doenças graves no SUS.
Onde e como tomar a vacina contra HPV?
- A vacina contra HPV está disponível gratuitamente pelo SUS em postos de saúde.
- Para jovens de 15 a 19 anos que ainda não completaram o esquema, basta levar um documento com foto e a carteira de vacinação.
- Em alguns casos, também é possível encontrar a vacina em clínicas privadas, mas no SUS ela é totalmente acessível.
Vacinar-se é cuidar do presente e do futuro
A vacina contra HPV é uma escolha de autocuidado e prevenção. Jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam todas as doses têm a oportunidade de se proteger contra doenças graves e contribuir para a redução da circulação do vírus.
Não deixe para depois: procure a unidade de saúde mais próxima e complete seu esquema vacinal contra o HPV. É rápido, gratuito e salva vidas.